6. MEDICINA E BEM-ESTAR 22.5.13

1. O SUCESSOR DO BOTOX?
2. CLONES PARA SALVAR VIDAS

1. O SUCESSOR DO BOTOX?
O produto acaba de ser lanado na Europa e promete acabar com as rugas de expresso usando somente o impacto do frio intenso sobre a pele
Cilene Pereira

A nova promessa para acabar com as rugas de expresso  aquelas que se formam pela movimentao intensa e frequente de determinados msculos da face  chama-se Iovera. Aprovado recentemente na Inglaterra e esperado para chegar em breve  Alemanha, Holanda, Blgica e Frana, o produto vem sendo considerado o sucessor do Botox (nome do artigo mais famoso a usar a toxina botulnica para amenizar as marcas). Anuncia, porm, uma vantagem: apagar os sulcos sem recorrer a uma substncia externa. Utiliza apenas a reao do corpo ao frio extremo.

Isso porque o mtodo se baseia na aplicao, por meio de finas agulhas, de nitrognio lquido sobre os pontos a serem tratados. O procedimento causa uma onda de choque frio na regio e atinge os nervos responsveis pela contrao dos msculos envolvidos nas expresses faciais. De acordo com a empresa fabricante, a californiana Myoscience, o resultado  que os nervos acabariam entrando em um estado de dormncia, sem apresentar atividade na rea. Como consequncia, haveria um relaxamento dos msculos, o que leva  minimizao das linhas de expresso. Esse efeito, na verdade,  o mesmo provocado pela aplicao da toxina botulnica que hoje faz tanto sucesso. Contudo, enquanto o resultado da toxina dura cerca de seis meses, o Iovera duraria a metade desse tempo.

Alguns estudos clnicos patrocinados pelo fabricante esto sendo conduzidos nos Estados Unidos. Pesquisas recentes, com quase quatro mil pacientes, demonstraram que se trata de uma alternativa livre de toxina e pouco agressiva, afirmou o mdico Jonathan Sykes, diretor do Departamento de Cirurgia Plstica Facial do UC Davis Medical Center, na Califrnia, nos Eua. Segundo o que foi observado, alguns dos efeitos secundrios so inchao e hematomas.

No Brasil, os mdicos esto na expectativa dos reais benefcios do mtodo. Se for realmente o que esto dizendo, pode ser uma boa opo ao Botox, afirmou a dermatologista Karla Assed, do Rio de Janeiro, membro da Sociedade Brasileira de Dermatologia. A mdica Fernanda Casagrande, de Porto Alegre, no Rio Grande do Sul, acredita que  preciso esperar por mais pesquisas, e conduzidas de maneira independente, sem vnculos com o fabricante. Talvez seja uma alternativa promissora para o futuro. No Brasil, estamos aguardando os estudos que esto sendo feitos nos Eua. A partir deles, poderemos ter uma posio mais favorvel, afirmou. A Myoscience pretende lanar o produto aqui no Pas no ano que vem.


2. CLONES PARA SALVAR VIDAS
A criao de clones de embries humanos para extrair clulas-tronco surge como esperana de tratamento para doenas como Parkinson, Alzheimer e diabetes. Mas tambm desperta o temor de que o mtodo possa ser usado para a clonagem de indivduos
Cilene Pereira e Monique Oliveira

Um feito histrico divulgado na semana passada surpreendeu os cientistas no mundo todo. Pesquisadores do Centro de Terapia Celular da Universidade de Oregon (EUA) anunciaram ter conseguido clonar embries humanos dos quais foi possvel retirar clulas-tronco embrionrias, capazes de gerar qualquer tecido do organismo.  um passo importante para o desenvolvimento da medicina regenerativa, disse Shoukhrat Mitalipov, coordenador do trabalho. O artigo descrevendo o experimento foi publicado na revista cientfica Cell, uma das mais importantes da rea.

No meio cientfico, existem razes para o otimismo. H dois tipos de clulas-tronco: as adultas e as embrionrias. As primeiras podem ser extradas de vrias partes do corpo, como a medula ssea. No entanto, no se transformam em todos os tecidos, ao contrrio das embrionrias. Por isso, estas ltimas so a principal esperana da medicina. Com elas podero ser criadas terapias para doenas como Alzheimer e Parkinson, diabetes, cardacas e sseas. Elas sero usadas para substituir ou auxiliar o funcionamento de clulas atingidas por essas enfermidades e para a construo de rgos inteiros. Investigaes sobre sua eficcia esto sendo feitas no mundo.

At a divulgao da pesquisa americana, havia duas fontes de clulas-tronco embrionrias. Elas podem ser extradas de embries doados para pesquisa ou descartados pelas clnicas de reproduo assistida. Nesse caso, porm, os tecidos criados a partir delas apresentam o risco de ser rejeitados pelo receptor, j que no possuem o mesmo material gentico. Em 2006, o pesquisador japons Shinya Yamanaka criou um mtodo segundo o qual  possvel reprogramar clulas da pele para que adquiram as mesmas caractersticas de uma clula-tronco embrionria. A tcnica lhe rendeu o Prmio Nobel de Medicina do ano passado. No Brasil, o procedimento j est sendo testado em animais, com sucesso. Pela manipulao de quatro genes, conseguimos fazer essa reprogramao sem riscos, explica o pesquisador Bruno Solano, do Centro de Biotecnologia do Hospital So Rafael, em Salvador.

TICA - Mitalipov, lder da pesquisa, diz que o nico objetivo  combater doenas

O mtodo de Yamanaka supera dois obstculos: no h risco de rejeio, j que a clula usada  do prprio paciente, e no  necessrio recorrer a embries nem  clonagem. Por isso, h cientistas que acreditam ser esse o mtodo que mais rapidamente chegar aos hospitais. Nos prximos trs anos, comearemos a ver os primeiros testes em humanos, diz o pesquisador Ricardo Ribeiro dos Santos, da Fundao Oswaldo Cruz. A pesquisa dos americanos tem sua importncia, mas o uso de embries  uma questo muito complicada, ressalva.

De fato, o trabalho esbarra em questes ticas. H crticas em relao  criao de embries apenas para deles extrair clulas-tronco. O experimento tambm reacendeu o temor de que a tcnica da clonagem  semelhante  utilizada para criar a ovelha Dolly, em 1996  possa ser um dia usada para clonar seres humanos. A clonagem  um atentado  vida e  liberdade, diz Hermes Rodrigues Nery, do Departamento de Biotica da PUC-RJ. No podemos criar um outro ser humano unicamente para nos servir.

Os cientistas asseguram, entretanto, que a tcnica servir somente para a criao de clulas-tronco embrionrias para serem aproveitadas com fins teraputicos. Nosso nico objetivo  combater doenas, defende Mitalipov. A clonagem humana no  nosso foco, nem acreditamos que nossa pesquisa ser usada para esse fim, argumenta.

